Resolução da Anvisa pode deixar palmito até 40% mais barato para o consumidor

Peninha, Morastoni, Fantini e Luiz Hessmann, em 2011

Uma rápida olhada nas gôndolas do supermercado é suficiente para encontrar milho, azeitona, ervilha e champignon em recipientes de plástico. Se você reparar com mais atenção, no entanto, verá que os palmitos só são vendidos em potes de vidro ou metal. “Foi necessária uma luta aqui em Brasília para que a Anvisa revisasse suas normas, de modo que o palmito pudesse também ser acondicionado em embalagens flexíveis”, explica o deputado Rogério Peninha Mendonça (PMDB/SC), em referência à Resolução 85/2016, publicada na semana passada, que atualiza regras em vigor há 17 anos. O parlamentar encabeça esta demanda desde 2011, quando empresários do setor o procuraram para resolver o impasse.

Um dos pioneiros da empreitada pela alteração na norma é o empresário Darci Morastoni, de Timbó, no Vale do Itajaí. Aos 59 anos de idade, dedica mais da metade de sua vida ao palmito – começou a cultivar mudas de palmeira real e pupunha em 1986. Ele comemora a nova resolução como um marco para o crescimento da empresa: “Agora o céu é o limite”. Morastoni explica que a substituição das embalagens fará com que o palmito picado, utilizado em recheios e coberturas de pizzas, por exemplo, possa ficar até 40% mais barato para o consumidor final. “O vidro e a tampa que a empresa utiliza para embalar o palmito são mais caros que o próprio produto”, complementa.

Para o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Palmeira Real (Abrapalmer), Edson Fantini, o uso de embalagens flexíveis tem outras grandes vantagens: “O novo método exigirá condições tecnológicas tão sofisticadas para o acondicionamento do palmito, que os produtores clandestinos não conseguirão utilizá-las, tornando o negócio inviável”. Fantini também destaca a sustentabilidade do novo processo: “Haverá economia de água por parte da indústria processadora, porque o palmito passará a ser embalado a vácuo. Além disso, o número de viagens de caminhão para o transporte da mercadoria diminuirá, porque as embalagens ficarão mais leves e não haverá necessidade de o transportador retornar à empresa com os vidros vazios”. “A possibilidade de quebra durante o trajeto também faz com que o frete encareça, e o número reduzido de fabricantes de vidro no país é outro entrave, porque a oferta é pequena e o preço muito alto”, justifica ele.

Países como Japão e Coreia do Sul utilizam com sucesso recipientes flexíveis há anos. Para o deputado Peninha, é preciso que o Brasil se mantenha atualizado nesta seara regulatória, para continuar competitivo no mercado. “A maior parte do palmito comercializado no Brasil é caulinar, por isso acaba picado e vendido para restaurantes, pizzarias e indústrias gastronômicas. Para estes compradores em larga escala, o vidro se torna um grande empecilho, porque é pesado, demanda mais espaço para acomodação e requer descarte adequado. É justo que adaptemos nossa produção às condições mais modernas e práticas a que temos acesso”, defende o parlamentar.

Rafael Pezenti

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