Brasil intensifica prevenção contra influenza aviária

Instrução Normativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) reforça e atualiza o Programa de gestão de risco já existente, aumentando o rigor das medidas de prevenção contra a influenza aviária. A partir da publicação da nova IN no Diário Oficial, que deve acontecer nos próximos dias, os proprietários de granjas terão um prazo para se adequarem às novas regras, sob pena de restrição de alojamentos.

Entre as medidas de prevenção está a instalação de arcos de desinfecção e o tratamento da água que é utilizada em todos os processos e a exigência de colocação de tela em galpões de aves poedeiras, e não apenas nas de corte como já era previsto. “O Brasil é um grande produtor de aves e exporta para mais de 160 países, o equivalente a 37% do volume mundial desse mercado. Portanto, nós temos que criar condições para evitar que a doença chegue ao país ou que seja minimizada, cuidando com toda a atenção e fazendo o monitoramento”, ressalta o ministro Blairo Maggi.

De acordo com o presidente-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, 700 mil toneladas de carne de frango estão sendo retiradas de 45 países que notificaram a ocorrência da gripe aviária. E esta pode ser uma grande oportunidade para o Brasil e em especial para Santa Catarina, o segundo maior produtor e exportador de carne de frango do país.

Para evitar o ingresso da influenza aviária no plantel de aves catarinense, a Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca intensificou a vigilância sanitária nas granjas de aves e nas divisas do estado. A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) faz ainda a vigilância epidemiológica nos dois sítios de aves migratórias existentes no estado, na Foz do Rio Tijucas e na Foz do Rio Araranguá, e nas aves domésticas existentes num raio de 10 quilômetros desses locais.

O secretário da Agricultura, Moacir Sopelsa, explica que a excelência sanitária é um patrimônio conquistado pelo agronegócio de Santa Catarina, com muita dedicação dos produtores, Governo do Estado e iniciativa privada, e por isso todos os esforços estão sendo feitos para que este status seja mantido. “Santa Catarina é reconhecido internacionalmente pela qualidade de seus produtos e pelo trabalho feito em sanidade animal, com certificados da Organização Mundial de Saúde Animal que garantem isso. Nossa equipe, junto com a iniciativa privada, está empenhada em manter nosso plantel de aves livre de qualquer doença, esse será nosso diferencial na busca por mercados internacionais”, afirma.

Os produtores são orientados a evitar o contato de aves domésticas com aves silvestres; controle do trânsito de veículos e pessoas nas granjas; criação de aves em instalações fechadas, utilizando a tela anti-pássaros. Lembrando que a preocupação se estende a todos os tipos de aves, não só aos frangos.

Vigilância constante

Referência em sanidade animal, Santa Catarina investe em ações constantes de vigilância sanitária nas criações de aves. Em 2016, o Programa de Sanidade Avícola registrou 773 atendimentos à notificação de mortalidade de aves com investigação sanitária e 256 coletas de aves de descarte para vigilância ativa. Atualmente, as granjas e outros tipos de criação de aves no estado são monitoradas pelo Programa. Mais de seis mil granjas comerciais registradas já cumprem as exigências dessa nova normativa do Ministério da Agricultura.

Avicultura em SC

Santa Catarina é o segundo maior produtor e exportador de carne de frango do país. Em 2016, as exportações de carne de frango superaram um milhão de toneladas para mais de 100 países. Os principais destinos do produto catarinense foram o Japão, a China e os Países Baixos, que juntos responderam por 38,5% das exportações.

A avicultura tem o maior Valor Bruto da Produção Agropecuária catarinense, com um faturamento de R$ 7,1 bilhões em 2016.

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