O menino que desafiou o mundo com o sonho de jogar futsal

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O Ceará tem mais de 8 milhões de habitantes. Estado nordestino com boas histórias e um povo aguerrido, que não desiste dos seus sonhos. Um desses personagens nasceu na capital Fortaleza. Estamos falando de Matheus Vasconcelos, menino de origem humilde, que se agarrou nos sonhos mais impossíveis de um jovem para provar que o impossível é só uma questão de opinião. A bola virou o seu amor e a quadra a sua profissão. Mas para o sonho virar realidade, esta história ganhou capítulos dignos de um filme.

Aos oito anos, o sonho de qualquer menino é jogar bola, seja campo ou quadra. Com o tempo, as prioridades mudam. Uns estudam, outros escolhem trabalhar. Vasconcelos escolheu sonhar: “eu quero ser um jogador”. O seu sonho não foi fácil. Tênis novo não existia. Seus materiais eram doações de treinadores, que observavam naquele menino baixinho a possibilidade de ver um jogador. O primeiro treinador buscou Vasconcelos em um projeto para dar uma ocupação a crianças de rua. Mal sabia ele que seria a porta de entrada para uma nova vida.

Todo sonho não cai do céu como uma vitória declarada. Você ganha provas e precisa superá-las. A primeira na vida desse jovem foi dentro de casa. A família precisava dele no apoio financeiro do lar e ele não pensava em outra coisa que não fosse jogar. Convencer seu pai e mãe foi difícil, mas nesse momento ele chutava a primeira bola para o fundo da rede. O sonho de uma família humilde começou a ser depositado nele e a sua primeira missão seria não os desapontar.

Vieram os primeiros times e a bola vivia na rede. O seu rendimento lhe fez ganhar bolsa escolar, virar uma promessa e ganhar a oportunidade de jogar no time de Luiz Alves, no interior de Santa Catarina. Então, surgem dois problemas. O primeiro arrecadar o valor para a passagem. O segundo garantir a passagem de volta em caso de insucesso. A segunda não foi possível, pois os valores não foram alcançados. Vasconcelos só tinha uma chance caso aceitasse a viagem: embarcar e garantir a si mesmo que passaria nas avaliações. Caso contrário, não teria como voltar para o Ceará. Missão aceita e cumprida.

Antes disso, porém, a vida lhe fez outro desafio. A fraqueza bateu e a vontade de desistir foi questionada. Vasconcelos falou a sua mãe que o sonho não poderia prosseguir, pois largar a sua família seria demais. Palavras de carinho tocaram a sua alma e o incentivo da sua mãe lhe fez ainda mais forte. As lágrimas vieram como um sopro da alma dizendo siga em frente.  Três anos em Luiz Alves rendeu uma transferência para Minas Gerais e, posteriormente, passagem pela extinta ADHering.

No ano de 2013, morou um período sozinho nos fundos de uma empresa. O seu salário era R$ 100, mas a luta era de R$ 1 milhão. Se uniu a uma jovem e persistiu. Ganhou força e seguiu em pé. Estamos falando da história de um menino de 19 anos, que mais parece a história de um senhor de 40. Chegou no Blumenau Futsal no ano de 2017 e desde então sabe a missão que é honrar as cores desse time. De uma mãe costureira até um pai vigilante. De uma vida dura até um sonho promissor. A carreira só está iniciando, mas já se pode falar que Vasconcelos desafiou o mundo e venceu.

 

Assessoria de Comunicação – Blumenau Futsal

Foto: Sidnei Batista

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