“Temos que falar da violência para dar voz ao cidadão”, afirma Gustavo Marques, âncora do “Balanço Geral RJ”

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Gustavo Marques está na Record há mais de quinze anos.

Trabalhou em afiliadas no interior de São Paulo, acumulou os cargos de editor-chefe e repórter de rede, apresentou o “Cidade Alerta”, em São José do Rio Preto, o “Disque Record”, programa piloto que deu origem ao “Balanço Geral”.

Logo em seguida, recebeu a grande oportunidade de sua carreira das mãos de Douglas Tavolaro, vice-presidente de jornalismo da Record. Foi aprovado em um teste surpresa e passou a ser âncora dos telejornais do canal no Rio de Janeiro.

Para conhecer a cidade, andou pelos bairros e observou as pessoas. Hoje, ele garante que conhece o Rio tão bem quanto São Paulo.

O apresentador, que já esteve à frente do “RJ no Ar” e “Cidade Alerta RJ”, comanda desde 2015 o “Balanço Geral RJ”, jornal local com mais de duas horas de duração responsável por bater de frente a Globo. Aliás, o programa também ganha na disputa pela audiência com o “Vídeo Show”, exatamente como acontece na capital paulista.

Gustavo, 40 anos, é paulista, pai, casado e roqueiro.  “Gosto muito de rock. Sou colecionador. Tenho oito coleções dos Beatles em vários idiomas”, revela, usando uma camisa da banda Guns N’ Roses.

Marques também sabe da responsabilidade que carrega ao apresentar um programa visto por milhões de cariocas. “Pessoas estão morrendo na rua. Às vezes, pela violência ou pela omissão. A gente tem, sim, que tratar desses assuntos na TV para lutar, para dar voz ao cidadão” afirma.

Há seis anos na Cidade Maravilhosa, Gustavo não deixou para trás o “r” típico do sotaque paulista. “Eles brincam comigo nas ruas e nas redes sociais”, diz o jornalista, que foi acolhido pelo apresentador Wagner Montes na cidade e na vida pessoal.

Em sua estreia no comando do “Balanço RJ”, Marques agradeceu o colega. “Estou recebendo o programa da primeira pessoa que me acolheu aqui no Rio. E me acolheu como um verdadeiro pai. Eu não conheci meu pai biológico. Eu não tive pai biológico. Mas a minha mãe sempre falava: ‘Você vai conhecer muitas pessoas durante a sua vida que vão substituir essa falta’. E esse [Wagner Montes] é um deles.”

Confira a entrevista exclusiva:

RD1: Você  nasceu no interior de São Paulo, trabalhou durante um bom tempo em cidades do interior e na capital, mas está há seis anos no Rio. São culturas diferentes. Como tem sido o retorno do público em relação ao seu estilo?

Gustavo Marques: Eu não mudei meu jeito de ser. Não adianta tentar imitar o jeito do carioca. Eu sou do interior de São Paulo e, para minha surpresa, o carioca me aceitou do jeito que eu sou. Não é um personagem. Às vezes, tem aquele ‘r’ mais puxado. O público carioca é receptivo. Gosta de uma brincadeira. Eles brincam comigo nas ruas e nas redes sociais. E essa história de que existe uma rixa entre Rio e São Paulo é mentira. No meu convívio, eu nunca vi o carioca maltratar esse ou aquele, e a mesma coisa em São Paulo  por causa do sotaque, do jeito de levar a vida. Eu posso dizer porque trabalhei durante anos em São Paulo e, agora, estou há seis no Rio.

RD1: E o que você trouxe para a sua vida pessoal que é algo marcante no estilo e na cultura do carioca?

Gustavo Marques: A felicidade dos caras. O carioca te dá uma dimensão diferente das coisas.  Isso eu carrego comigo.

Aqui, você se torna amigo de todo mundo. Uma vez, estava num hotel, logo no começo mesmo, e chega o Wagner Montes: ‘Oh, Gustavo! Gustavo! Já falei para todo mundo aqui que você é meu amigo. Fica à vontade’. E sempre tem alguém que ‘puxa conversa’. E uma conversa de cinco minutos vira 50. E é dessas histórias que tratamos no programa de acordo com a pauta.

RD1: E como é a sua rotina e participação no processo de produção do programa?

Gustavo Marques: Eu chego cedo na redação. Participo de tudo. Vou conversando com a equipe, lendo a pauta para chegar no programa afiado.  O jornalismo da Record tem essa característica de ser ao vivo e presente na hora em que tudo acontece.  Aqui, nas ruas, as pessoas falam: ‘Ó, vou chamar a Record!’ como uma forma de sentirem acolhidos.

RD1: Assim como nas demais praças, o “Balanço Geral RJ” também tem uma quadro de fofocas. Como é a sua participação e a parceria que mantém com o Amin Khader?

Gustavo Marques: O Amin dá a noticia, a fofoca. Eu entro com a brincadeira, a descontração. Aquela história da Gracyanne ter ficado horas no banheiro foi espetacular. A gente ficou uns vinte minutos falando disso. A diferença é tirar na brincadeira sem ofender. O quadro é um sucesso. Enquanto o Amin está dando as notas, eu fico lendo sites especializados para complementar algo que está acontecendo naquele momento. O quadro também é um sucesso entre as crianças. E o Amin não me avisa de nada. É tudo na hora. Improviso. Mas eu ouço algumas coisas na redação.

RD1: Mudar de SP para o Rio também exigiu de você conhecer os bairros, a cultura local e pontos importantes da cidade. Como foi esse processo de imersão?

Gustavo Marques: No começo, foi complicado. Eu comecei no “RJ no Ar”, então, eu pegava o carro, andava pela cidade, me perdia, observava os colegas na redação e também os apresentadores para conhecer detalhes da cidade. Hoje, eu conheço muito bem a cidade.  Aqui, os programas são longos, focados no ao vivo, tendo o improviso como base, então, conhecer a cidade e o estado é fundamental.

RD1: E como faz para se desapegar das notícias tristes da cidade?

Gustavo Marques: A beleza do Rio. As pessoas. Aqui é tudo natural. Uma obra divina. Para onde você olha é lindo. O Rio é maltratado pelo Estado. E isso dura há anos.

RD1: Eu sei que você também é fã de rock. Não é algo tão claro quando a gente observa seu perfil. O estilo musical é uma forma de esquecer os problemas da cidade?

O rock! Gosto muito de rock. Sou colecionador. Se eu gosto muita de uma música, vou atrás da coleção inteira. Tenho oito coleções inteiras dos Beatles em vários idiomas. E outras dezenas de discos, CDs e DVDs, bonecos, livros originais. Essa é a minha paixão.  Eu não bebo, não tenho vícios. Essa é a minha única paixão além, é claro, da minha esposa e meu filho. Eu sou muito caseiro. Muito família.

RD1: Mas o factual, as notícias, sejam elas boas ou ruins, precisam ser dadas…

Gustavo Marques: A gente não pode viver num mundo paralelo. Pessoas estão morrendo na rua, na fila do hospital, porque não conseguem atendimento. Às vezes, pela violência ou pela omissão. A gente tem, sim, que tratar desses assuntos na TV para lutar, para dar voz ao cidadão.

RD1: Nas suas redes sociais, é possível ver momentos mais íntimos com a sua família.  O que mudou com a chegada do seu filho?

Gustavo Marques: Eu posso dizer que nasci outra vez com a chegada do meu filho. É um amor sublinhe. Choro de felicidade.

RD1: Em algum momento, você se emocionou ao dar uma notícia no programa e pensou nele, na sua família e amigos?

Gustavo Marques: Eu estava dando uma notícia sobre um garotinho que foi baleado no trânsito. O garoto era a cara do meu filho. A mesma idade, na época, oito meses.  São momentos complicados, são casos fortes. Eu sou ‘chorão’. Me emocionei.

RD1: E pelas redes sociais, as pessoas te procuram para falar sobre o programa, atrações e as fofocas?

Gustavo Marques: Todo mundo quer saber. Tem gente que manda pelas redes sociais. (risos)

RD1: Você é vaidoso? Dá palpites nas roupas e acessórios que usa no programa?

Gustavo Marques: A figurinista escolhe. Eu posso dar um palpite.  Proponho ideias. Eu respeito muito o trabalho dos demais profissionais . É um equipe e cada um tem o seu valor.

RD1: Você está na Record há muitos anos. Como define a sua relação com a emissora?

Gustavo Marques: Eu tenho um carinho muito especial por essa emissora. Eu fiz um teste sem saber que era um teste. E foi o diretor de jornalismo, Douglas Tavolaro, que me dirigiu. No final, ele propôs minha ida para o Rio de Janeiro. Aqui, aprendi tudo. É uma escola.

RD1: Em casa, você assiste ao programa para observar erros e acertos? É muito crítico?

Gustavo Marques: Eu sou muito critico.  Se você não se observar não tem como melhorar. O tempo de estrada contribui para melhorar tudo. Uma vírgula pode virar uma frase. Você tem que tomar cuidado para não ser grosseiro.  Tem muita gente te assistindo. Tem que cobrar sem ser grosseiro, sem ofender. Não pode sair metralhando.

RD1: O que passa na sua TV?

Gustavo Marques: Eu tenho quatro TV`s em casa. Em uma, eu vejo o sinal da Record em SP. E a concorrência. Assim sei o que estão apresentando para fazer melhor o meu trabalho.

RD1: E as séries do momento, Netflix?

Gustavo Marques: Eu gosto de ter o produto. Eu gosto do físico, como no caso dos livros, CDs, DVDs.

RD1: Alguns programas e jornais são acusados de mostrar ou tratar casos de violência com um tom desumano. Quais os cuidados que você e sua equipe tomam em relação a questão de direitos humanos?

Gustavo Marques: A gente toma muito cuidado para não mostrar imagens fortes, porque tem outro público que também nos assiste, o infantil, por exemplo. Eu tenho essa preocupação. Temos que ter responsabilidade. E 2h45 de programa triplica a nossa responsabilidade.

RD1: Um apresentador de telejornal nunca deixa de ser um repórter. É importante ter as características de um repórter mesmo sendo um apresentador no sentido de apuração, do envolvimento com a história?

Gustavo Marques: Você nunca vai deixar de ser repórter. Se o apresentador não passar pela reportagem, ele não terá bagagem para levar um programa como esse. É um programa que tem de tudo. Um jornalista nunca vai deixar de ser um repórter. Tem a questão da apuração. Você sente como está o andamento daquela história, se precisa ou não de mais apuração.

RD1: As reportagens do jornalismo da Record são mais longas. Há um aprofundamento nas histórias…

Gustavo Marques: Programas como “Cidade Alerta” e “Balanço Geral” possuem um espaço maior para falar das histórias das pessoas do dia a dia com mais tempo. São essas histórias que valem dez minutos ou mais. A Record gosta de contar histórias.

RD1

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