Susana Vieira está para o “Vídeo Show” como Mara Maravilha para o “Fofocando”

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O que a apresentadora – e, atualmente, aspirante à fofoqueira – Mara Maravilha e Susana Vieira têm em comum? À primeira vista, pouca coisa. Mas basta prestarmos um pouco de atenção para identificarmos alguns pontos que interligam suas trajetórias: as duas foram apostas de suas respectivas emissoras para alavancar a audiência de seus programas vespertinos, respectivamente “Fofocando” e “Vídeo Show”.

Não é difícil prever que tanto Silvio Santos quanto Boninho tomaram suas decisões por conta da personalidade forte e controversa das artistas em questão. Porém, passados alguns meses em que elas estão na bancada, posso cravar, sem medo de parecer injusto, o quão equivocadas foram as duas escolhas.

Sim, tanto Mara Maravilha quanto Susana Vieira atraem repercussão. Se o leitor navegar pelo RD1 nas tardes de quinta-feira ou manhãs de sexta-feira, fatalmente encontrará uma nota repercutindo alguma declaração de impacto da atriz na bancada do “Vídeo Show”. Com Mara, a única diferença é que não há um dia previsto: a qualquer momento, ela pode emitir uma de suas polêmicas opiniões, não importa quem seja o personagem das notícias comentadas pelo “Fofocando”.

E onde está o problema então? Justamente aí. Qualquer um que faça uma análise mais sensata, verá que, além da sua personalidade, elas pouco realmente agregam às atrações. Ambas foram inseridas como um chamariz de audiência, mas destoam completamente da sinergia construída pelo restante da equipe.

Mara, enquanto pessoa temente a Deus – e não enxergo isso como um demérito, pois cada pessoa tem o livre arbítrio para exercer sua fé -, não tem a menor vocação para estar em um programa de fofocas. Contudo, essa liberdade começa a incomodar a partir do momento em que há a constatação de que suas opiniões são embasadas quase que exclusivamente em suas convicções religiosas e, a partir daí, Mara passa a rotular vários comportamentos como condenáveis.

Para um programa que, em sua essência, busca justamente àquilo que foge do padrão – é isso o que verdadeiramente repercute entre quem se interessa por saber “fofocas” da vida alheia – não deixa de ser um grande paradoxo. Se isso não bastasse, a ex-apresentadora infantil não está imersa no universo do entretenimento, requisito essencial para um programa desse gênero.

Com Susana Vieira, o problema é semelhante: como aprendiz de apresentadora, ela é uma boa atriz. Seu repertório televisivo, basicamente, se resume a sua própria carreira, ainda sim, com falhas.A veterana – que adora ostentar seus 40 anos de Globo – chega a confundir as tramas em que trabalhou: dia desses, ela se incluiu no elenco de “Fera Radical” (1988), quando, na verdade, esteve em “Fera Ferida” (1993).

A participação de Susana se resume a, basicamente, duas vertentes: a primeira – e mais explícita – é alimentar o próprio ego. Aliás, é tão somente isso que Susana Vieira, a cidadã, tem se dedicado a fazer desde 1997, ano em que ela interpretou a socialite Branca Letícia de Barros Mota em “Por Amor”.

É inquestionável que a personagem é uma das melhores e mais complexas já criadas por Manoel Carlos [tanto que o colunista que vos escreve lembra o seu nome completo, sem precisar recorrer a nenhuma fonte de pesquisa], mas parece que sua arrogância apoderou-se de sua intérprete. Pode ser também que ela sempre tenha sido assim e Branca a tenha libertado de uma prisão sem muros, dando vazão ao seu exacerbado narcisismo. Sim, Susana se ama. E muito, aliás (Geovanna Tominaga que o diga).

Nesse sentido, o “Vídeo Show” é só mais uma vitrine no qual a atriz se vende como o “produto mais valioso”: sempre que pode, ela cava uma brecha para receber algum elogio de seu companheiro de bancada, seja por sua aparência física ou por algum de seus trabalhos. Outra função de Susana no comando do programa é distribuir alfinetadas.

Sobrou para um ex-parceiro de cena pouco dotado (nesse sentido mesmo que você está imaginando), para os ex-namorados, que ela assumiu não desejar que sejam felizes, para a Globo – que teria dado um destaque aquém do que ela merece em uma das versões da vinheta de fim de ano -, para Walcyr Carrasco, a quem, certa vez, ela chamou de “Waldir” e até para Neymar, numa das poucas vezes, na opinião desse colunista, que Susana Vieira deu uma “bola dentro”.

É claro que essas declarações rendem, se tornam manchete e ajudam a tirar o “Vídeo Show” da monotonia em que ele se encontra. Mas é triste constatar que o programa que outrora já foi o queridinho das tardes já não repercute mais pelo seu conteúdo, e sim por sua embalagem. Ainda sim, a contribuição de Susana Vieira é irrisória, tendo em vista que nem a leitura do teleprompter ela consegue fazer.

O mesmo pode se dizer sobre Mara no “Fofocando”: quando a colocou ali para fazer contraponto aos demais, Silvio Santos sabia muito bem o que estava fazendo e a repercussão que isso teria. Esperto como ele só, o “Homem do Baú” praticou a máxima: “falem bem ou mal, mas falem de mim”. Pobre dos telespectadores que estão em casa e têm duas opções tão “indigestas”. O caminho, infelizmente, não é este. Certo mesmo é que tanto o “Fofocando” quanto o “Vídeo Show” estariam bem melhores sem Mara Maravilha e Susana Vieira.

RD1

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