Padre Fábio de Melo se desculpa após vídeo machista: “Peço perdão”

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Nesta segunda-feira (27), um vídeo de 2006 do padre Fábio de Melo ganhou notoriedade na internet e fez com que o religioso viesse a público se retratar.

Na gravação, feita durante uma pregação, Melo afirma que o comportamento das pessoas corresponde à forma como serão tratadas. “Não saímos por aí com as plaquinhas: ‘não abuse de mim’, ‘me respeite’. Porque essa placa não está escrita em palavras, ela está escrita nos seus olhos. É você com seu jeito de olhar, com seu jeito de ser gente. É o caráter que está exposto no seu rosto que vai dizer ao outro o que ele pode fazer com você ou não. Nós, no momento em que nos construímos como pessoas é que sinalizamos nosso território. Caso contrário, as pessoas virão, acharão que nós podemos tudo e farão tudo que quiserem conosco mesmo”, fala.

Em outro momento, Fábio discorre sobre violência doméstica. “Eu sempre digo, as mulheres que são agredidas fisicamente pelos seus maridos, no dia em que ela recebe a primeira agressão, ela que vai determinar para ele se ele vai ter o direito de agredi-lo a vida inteira ou não. É o jeito como ela olha pra ele. Não é nenhuma palavra, nenhum grito que vai dizer ‘não me bata’, mas é o sei jeito de ser mulher. O agressor só se torna agressor porque a vítima o autoriza”, afirma.

Após receber inúmeras críticas nas redes sociais, o padre decidiu responder alguns internautas. “Na época eu falava de mulheres que não denunciam os agressores. Eu motivava a denúncia. Continuo acreditando que o silêncio da vítima contribui com a manutenção da violência. Vítima é alguém cuja fraqueza outro alguém explora. A violência contra a mulher funciona assim”, declarou no Twitter.

Mais tarde, Fábio de Melo se desculpou com quem o interpretou de outra maneira. “Peço perdão. Eu nunca pretendi dizer que a vítima é culpada. Apenas salientei que a não denúncia reforça o agressor. É muito desconfortável ser promotor do que abominamos. Culpar a vítima é abominável. Se fui infeliz na linguagem, resta-me retratar. Sempre refleti sobre o risco que uma relação afetiva tem de evoluir para o sequestro da subjetividade. Cresci entre as minorias. Nunca me distanciei dos sofrimentos que vi de perto. Por isto faço questão da retratação”, concluiu.

RD1

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