Onipresença na Comic-Con mostra que “Pokémon Go” já dominou a cultura pop

Capturar pikachus, squirtles e charmanders virou um passatempo (quase) mundial nas últimas semanas, com o lançamento do game “Pokémon Go”. E a febre não passou em branco na San Diego Comic-Con, o maior evento geek do mundo. Fãs, celebridades e nomes da indústria do entretenimento se renderam ao jogo e o tornaram praticamente o tema não-oficial da convenção, mostrando que o jogo já conquistou todos os terrenos da cultura pop.

Aliás, oficial também: o buzz em torno do game chegou ao seu ápice no domingo (24) durante um painel dedicado a ele no Hall H, o espaço mais nobre da Comic-Con. John Hanke, criador do jogo, falou para uma plateia lotada, com mais de 6.000 pessoas –número expressivo para um dia que costuma ser o mais esvaziado do evento.

Piadas, cosplays e política

O “Pokémon Go” ganhou espaço logo no primeiro dia da Comic-Con, quando sofreu críticas por parte do cineasta Oliver Stone (“Platoon”), que apresentava seu filme sobre o ex-agente da NSA Edward Snowden: “Trata-se de um novo patamar de invasão. Eles [as empresas de tecnologia] estão capturando dados de cada pessoa nesta sala. É disso que se trata ‘Pokémon Go'”.

Reprodução

Tela do jogo “Pokémon Go”

No resto do evento, porém, o tom foi mais ameno, e o game se tornou motivo para piadas. “Eu vou concluir que vocês estão tirando fotos de mim e que não há um Squirtle aqui em cima do palco”, brincou Seth Rogen ao apresentar o painel da série “Preacher”. Jared Padalecki, de “Supernatural”, também entrou na febre: “tem um Pokémon lendário aqui atrás”.

Até o veterano dos quadrinhos Stan Lee se rendeu à febre. Durante um painel sobre a carreira do fundador da Marvel, um assessor entregou: “Como nenhum de vocês perguntou o que o Stan faz nas horas vagas para o lazer, vou contar: Ele joga ‘Pokémon Go’! Estávamos chegando aqui e o celular dele começou a vibrar. Ele me disse: ‘Pare o carro! Tem um Pokémon aqui!'”.

Cosplayers e interação

Entre o público, muitos escolheram se fantasiar com os personagens do anime que deu origem ao game. Ashs, Mistys e pikachus marcaram presença em grande número em todos os dias da convenção. E houve até quem tenha investido em fantasias diretamente inspiradas no jogo, como foi o caso da californiana Melanie Caballo, que se vestiu como uma “pokestop” (local no mapa virtual do jogo onde se pode coletar ovos, pokebolas e outros itens.

Beatriz Amendola/UOL

Melanie Caballo foi à Comic-Con vestida de “pokestop”

“É muito divertido porque você tem que ir para vários lugares, e há diferentes Pokémon em áreas diferentes. Faz você sair de casa para achar novos Pokémon”, disse ela, que durante a convenção chegou a ficar até à 1h em um parque caçando os monstrinhos. “Se alguém encontra um Pokémon, todo mundo grita e as pessoas vão procurar. Aí você acaba conhecendo pessoas novas”.

A possibilidade de interação é justamente um dos trunfos do jogo na opinião de Hanke. “Quantos de vocês jogaram com amigos ou fizeram novos amigos? Acho que isso é uma boa experiência. O jogo é como ter uma Comic-Con na sua vizinhança, quando você quiser”, disse ele durante seu painel.

“É tipo uma caça ao tesouro”, disse Michael Pollack, 40, que estava acompanhado da mulher Kellie. “Nossos filhos, de 17, 16 e 14 anos, estão lá embaixo procurando Pokémon enquanto nós estamos aqui aguardando um raro”, completou Kellie.

Vestido como Wolverine, James Edwards, 40, acompanhado do filho Kadence Edwards, 8, de Pokémon, afirmou que nunca se sabe quando vai capturar um animalzinho raro. E seu filho já tem feito novos amigos por conta dele. “Já conheci um monte de gente. Meu pai que me ajuda”, contou o garoto.

Pokémon lendário virou lenda

Com a popularidade do “Pokémon Go”, já era esperado que a apresentação dedicada a ele fosse acompanhada por muitos espectadores. Ela seria originalmente realizada em um espaço com capacidade para 480 pessoas, mas mudou de local uma semana antes do evento, quando já havia batido o recorde de “Candy Crush” e se tornado o jogo mobile mais baixado nos Estados Unidos.

Porém, o rumor de que a desenvolvedora Niantic planejava disponibilizar um Pokémon lendário durante o painel aumentou ainda mais as expectativas dos fãs. Dentro do Hall H, era possível ver várias pessoas com o aplicativo aberto, à espera de que a nova criatura surgisse.

Mas quem esperava o monstrinho se decepcionou. “Se eu pudesse dar algum Pokémon para vocês agora, eu daria. Estamos trabalhando nisso. Sem Pokémon hoje, desculpe”, disse Hanke, que no painel já havia admitido as dificuldades da empresa com seus servidores. Ao receber vaias, ele brincou: “Talvez eu precise de um segurança para me tirar daqui”.

Para compensar, Hanke revelou aos fãs os líderes das equipes dos ginásios, conhecidos no jogo só por silhuetas. O anúncio fez os gamers mostrarem em alto e bom som  sua lealdade pelas equipes, aplaudindo as suas e vaiando as rivais –mas não foi suficiente para esconder a decepção de parte do público: na saída, muitos fãs reclamavam e acusavam a empresa de ter jogado o rumor para se promover.

Confusão

E houve decepção também do lado de fora do painel. O rumor fez aproximadamente 400 pessoas se aglomerarem no segundo andar do Centro de Convenções, exatamente acima do Hall H. Todos eles jogavam “Pokémon Go” sentados em um canto do corredor, atrapalhando a circulação do resto do público. De tempos em tempos, alguém gritava algo e todos os jogadores olhavam para os seus celulares em busca dos bichinhos.

Reprodução/Twitter

Público lota saguão na Comic-Con à espera de lançamento de Pokémon lendário, o que não aconteceu

Os seguranças da feira tiveram dificuldades para dispersar as pessoas, que se negavam a sair do local. Houve, inclusive, um princípio de confusão, que logo foi contornado. O público só dispersou depois que foi confirmado que nenhum monstrinho raro seria liberado.

Entre os que aguardaram em vão o Pokémon lendário estava Shaylor Duraleau, 29, vestido como o personagem Ash, porém com elementos do Ash da série “Ash vs. Evil Dead”. “Quando o Pokémon surgiu, eu tinha 10 anos e cresci junto com ele. A sala da minha casa é toda decorada como Pokémon. Posso dizer que estou entre os fãs número um da série”, contou. “Não sei de onde vem essa loucura com o game, mas vale a pena”, completou o jogador, que disse ter aberto uma tampa de bueiro na rua só para recuperar uma pokebola que deixou cair.

Por ali também estava a família Hughes. O pai David, 41, a mãe Heather, 42, e o filho August, 10, fantasiaram-se como os personagens da série. “Começamos a jogar juntos e eu amei”, disse a mãe. “É muito legal porque podemos jogar perto das pessoas. Nos aproxima dos amigos”, disse o menino.

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